Notícias Gerais

6 de setembro de 2019

A evolução das práticas conservacionistas

Por Comunicação

Texto da Abertura do Relatório Anual da SPVS – 2018

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Foto da capa: Rafael Guadeluppe / Tico Tico Films

Dar continuidade e incrementar o amplo conjunto de ações desenvolvidas pela SPVS representa um enorme desafio. Não se trata de tarefa fácil conciliar as oportunidades de captação de recursos com as prioridades na agenda da conservação. Esse trabalho representa um exercício complexo e que demanda qualificação técnica agregada a uma condição de adaptação de nossos sócios, conselheiros e de todo o nosso corpo de colaboradores. E de um relacionamento harmonioso e produtivo com a ampla gama de parceiros institucionais que viabilizam o encadeamento de todas as ações realizadas pela SPVS.

Seguimos com nossas atividades no Planalto do Sul do Brasil, em especial com as ações voltadas à conservação da Floresta com Araucária. Além do Programa Desmatamento Evitado avançamos com experiências singulares de restauração de áreas degradadas e na concretização de iniciativas que estimulem a proteção de remanescentes naturais privados. Parcerias com instituições públicas e entes privados demonstram a existência de espaço fértil para o refinamento de iniciativas conservacionistas, como, por exemplo, as ações de compensação ambiental realizadas por empresas. Merece destaque o conceito de “Pagamento por Serviços Ambientais Corporativo” como perspectiva de envolvimento de grandes redes de negócios do campo em agendas concretas no campo da conservação da natureza.

A agenda urbana, tem como foco principal ações na Região Metropolitana de Curitiba através do Programa Condomínio da Biodiversidade, que explora as agendas mais avançadas de Pagamento por Serviços Ambientais desenvolvidas no Brasil e de novas ferramentas, desenvolvidas com apoio da SPVS, como a Certificação LIFE. O trabalho amplia as oportunidades de melhor percepção de parte de gestores públicos, empresas e proprietários de remanescentes naturais sobre a relevância da existência de um cinturão de áreas protegidas nas grandes centros urbanos, em busca de resiliência frente ao fenômeno das mudanças climáticas.

Na região costeira, as mudanças na gestão das Reservas Naturais da SPVS preparam uma inserção definitiva na agenda de uso público, ao mesmo tempo em que são exploradas vias alternativas que permitam um suporte de manutenção no longo prazo dessas áreas. Avanços importantes estão focados no alinhamento com prefeituras em busca de aportes oriundos do ICMS-Ecológico, uma alternativa de ampliação de arrecadação municipal conciliada com o fortalecimento da gestão e abertura para atividades de uso público em áreas naturais privadas.

As atividades de Educação para Conservação tornaram-se um instrumento de aproximação mais intensa da agenda de conservação com as comunidades locais, preponderantemente com os jovens. São muito estimulantes os resultados colhidos em atividades desenvolvidas nos municípios de Antonina e Guaraqueçaba, demonstrando a abertura e a sensibilização de atores locais para conciliar a agenda da conservação com oportunidades de trabalho.

Como ações intimamente ligadas à missão institucional da SPVS a continuidade de atividades com espécies como o papagaio-de-cara-roxa, papagaio-de-peito-roxo e, como novidade, o mico-leão-de-cara-preta, são atividades de enorme importância. Somadas ao apoio realizado ao trabalho de monitoramento de grandes mamíferos em toda a região de Serra do Mar e Costeira no Paraná e Santa Catarina, incluindo as Reservas Naturais Águas Belas, Guaricica e Papagaio-de-cara-Roxa.

Ao mesmo tempo em que todas essas atividades vem sendo desenvolvidas, um envolvimento constante na defesa do meio ambiente inclui a participação em campanhas multi- institucionais, como a iniciativa para a não diminuição da Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana no segundo pla-nalto do Paraná como os projetos portuários que ameaçam a região de Pontal do Paraná. Dentre outras ações de âmbito nacional e estadual o acompanhamento de movimentos sociais em prol da conservação da natureza tem espaço muito singular na agenda institucional da SPVS.

Finalmente, e dentro de um enquadramento que amplia de forma muita expressiva as expectativas de resultados, está a iniciativa Grande Reserva Mata Atlântica, um trabalho que evoluiu de forma extraordinária no ano de 2018. Os avanços são representados por um conjunto de práticas aplicadas com base no do conceito de “Produção de Natureza”.

Englobando potencialmente todas as ações realizadas pela SPVS em seus diversos programas, a iniciativa Grande Reserva Mata Atlântica também estabelece alinhamentos com praticamente todos os atores regionais estabelecidos entre os estados de Santa Cataria, Paraná e São Paulo, numa área terrestre de quase dois milhões de hectares e que representa o maior contínuo bem conservada de Mata Atlântica ainda remanescente.

A aderência à proposta da Grande Reserva Mata Atlântica vem sendo conquistada a partir de uma comunicação de qualidade, sem assinaturas institucionais e que aponta para uma proposta de desenvolvimento regional a partir da criação de um destino de turismo de natureza institucional. A estruturação e o incremento da gestão das Unidades de Conservação da região passam a ser um meio para garantir empregos e renda, uma oportunidade para os jovens e para o incremento da economia.

Finalizamos 2018 cientes dos grandes desafios que continuam representando a agenda da conservação em países como o Brasil. Ao mesmo tempo com uma atenção redobrada com as oportunidades geradas pela evolução das estratégias de conservação que estão sendo proporcionadas, na qual a SPVS se enquadra de forma determinante.

Clóvis BorgesDiretor executivo da SPVS