Opinião

15 de fevereiro de 2019

Criação de abelhas nativas é uma alternativa econômica viável para produtores rurais e para a manutenção da biodiversidade local

Por Comunicação

Nos dias 7 e 8 de fevereiro, representantes da Cooperativa de Criadores de Abelhas Nativas da APA de Guaraqueçaba – COOPERCRIAPA promoveram um curso de meliponicultura na Reserva Legado das Águas, em São Paulo. Com atividades teóricas e práticas, os participantes puderam aprender mais sobre o modelo de geração de renda a partir da criação racional de abelhas nativas sem ferrão.

A meliponicultura é caracterizada pela criação racional de abelhas nativas sem ferrão, os meliponídeos, que além da obtenção dos produtos auxilia também na manutenção das espécies de abelhas. No mundo todo são conhecidas cerca de 400 espécies de meliponíneas. Somente no Brasil existem cerca de 250. Esses insetos possuem uma enorme importância para a manutenção de ambientes naturais, pois, segundo alguns estudos, são responsáveis pela polinização de até 80% das espécies florestais brasileiras além de contribuir para a polinização de algumas culturas alimentícias. Além disso, muitas meliponíneas estão ameaçadas de extinção, e nesse cenário, a meliponicultura, serve como um auxílio à preservação das espécies.

Abelhas trazidas de outras regiões, conhecidas como exóticas, podem influenciar negativamente no ecossistema, causando um desequilíbrio ecológico. As abelhas nativas  sem ferrão, além de poderem ser cultivadas, são fundamentais para garantir a perpetuidade da flora brasileira pelo serviço de polinização prestado por elas, agregando ainda o valor da conservação da biodiversidade em seus produtos.

Além de todo esse histórico da meliponicultura e importância das abelhas nativas sem ferrão, durante o curso, os participantes também aprenderam que a partir da criação dessas abelhas, por meio de um manejo racional deste recurso, é possível se obter produtos variados, como o mel, o própolis, a cera e o pólen. O mel das abelhas nativas sem ferrão possuem propriedades nutritivas que fortalecem o organismo, além de propriedades medicinais importantes, principalmente antibactericidas e antinflamatórias já comprovadas por estudos. Este mel pode, ainda, ser utilizado na culinária na elaboração de pratos diferenciados e requintados, dando um toque especial à gastronomia.

A COOPERCRIAPA, situada e atuando na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, foi fundada em 2007 com o apoio da SPVS, marcando o início da meliponicultura formal na região do litoral norte do Paraná. A capacitação de novos potenciais criadores de abelhas nativas sem ferrão auxilia no aumento da produção de mel e outros subprodutos viabilizando a maior inserção no mercado consumidor.

A Reserva Legado das Águas, mantida pelo Grupo Votorantim, favorece o desenvolvimento da meliponicultura por manter áreas remanescentes do bioma Mata Atlântica em condições adequadas e propícias para a presença dos meliponídeos, cenário muito similar ao encontrado nas reservas mantidas pela SPVS no litoral norte paranaense e utilizado para início das atividades da COOPERCRIAPA. Este intercâmbio entre experiência e bons resultados contribui para que atividades positivas de conservação da natureza e desenvolvimento territorial ganhem escala e replicabilidade.

O modelo e a metodologia do curso podem ser aplicados em outros locais. Para maiores informações, entre em contato com: sueli.santos@spvs.org.br