Notícias Gerais

23 de janeiro de 2018

Diálogos buscam garantir a conservação da biodiversidade no litoral paranaense

Por Comunicação

A aproximação entre artistas, conservacionistas e organizações públicas buscou avaliar a expansão de grandes empreendimentos que ameaçam a preservação da Mata Atlântica no litoral do Paraná

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(Participantes da vivência em Paranaguá – PR. Foto: Marina Cioato)

A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), junto com o Observatório de Justiça e Conservação (OJC), a Fundação Grupo Boticário de Proteção a Natureza, o Observatório Costeiro (OC2), a Associação MarBrasil e o Hub Verde promoveram nos dias 18 e 19 de janeiro uma vivência pela Mata Atlântica no litoral do estado do Paraná.

O encontro contou com a participação dos artistas responsáveis pela criação e produção do clipe musical “Pare, Preste Atenção” [clique aqui para assistir ao clipe] e que agora estão reunidos na residência artística “Encosta Urgente”, movimento criado com o propósito de gerar conteúdos e diálogos com comunidades locais sobre a instalação de empreendimentos portuários na região. Também participaram da vivência instituições que atuam pela conservação da biodiversidade local e interessados em aprender mais sobre o bioma.

O objetivo deste encontro foi buscar uma aproximação entre estes atores e estimular o desenvolvimento de ações de comunicação mais criativas e efetivas em prol da conservação do patrimônio natural no litoral paranaense. Essa região, que abriga o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica, encontra-se ameaçada por diversas pressões, entre elas a possibilidade de construção de um empreendimento portuário em Pontal do Paraná e de uma nova faixa de infraestrutura para ligação ao porto.

Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS destacou que o diálogo e a disposição de todas as partes são condições essenciais para que se garanta a conservação da paisagem natural da Mata Atlântica.

A primeira parada do grupo foi na Pousada Graciosa, em Antonina (PR), exemplo de valorização da biodiversidade local por meio de práticas de negócios sustentáveis. Mirian e Curt, proprietários da pousada defendem que “os empresários têm evoluído na percepção de que é possível estabelecer uma harmonia entre negócios e a natureza, entretanto ainda há um longo caminho a percorrer para que haja um real equilíbrio” relatou Mirian durante a visita.

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(Participantes da vivência durante a visita à Pousada Graciosa. Foto: Marina Cioato)

Na sequência dos diálogos, Dra. Priscila Cavalcante, promotora de Justiça em Paranaguá, alertou para os riscos e prejuízos da perda de biodiversidade para os moradores locais. Argumentou defendendo a importância de que sejam avaliadas informações sérias e de qualidade na concessão de licenças para novos negócios. “Para além de abusos e irregularidades que muitas vezes estão por trás dos grandes empreendimentos, o avanço desse tipo de atividade ameaça a cultura e tradição locais, a qualidade de vida e o bem-estar dessas comunidades”.

Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre os projetos desenvolvidos em prol da conservação marinha. Além de garantir a qualidade da água que abastece diversas cidades, essas ações protegem espécies como o golfinho e o mero. Estudos recentes apresentados pelos técnicos da Associação MarBrasil comprovam que a maior concentração brasileira de golfinhos está localizada no litoral paranaense. O mero hoje é uma das espécies marinhas com maior risco de extinção. “A combinação do desenvolvimento de negócios de maneira desenfreada e da pesca intensa fez com que essas populações diminuíssem a níveis alarmantes” comentou Camila Domit, da MarBrasil.

Outra espécie que ocorre apenas na estreita faixa do litoral do Paraná ao sul do litoral de São Paulo, é o papagaio-de-cara-roxa. Há 20 anos, a SPVS desenvolve o projeto de conservação dessa ave. No ano de 2017, o monitoramento realizado pelo projeto constatou que a maioria dos papagaios-de-cara-roxa se utiliza das unidades de conservação do litoral paranaense para alimentação e dormitório.

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(Participantes da vivência durante visita as atividades do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa em Ilha Rasa – PR. Foto: Marina Cioato)

Chegando em Guaraqueçaba, o grupo entrou em contato direto com os costumes populares, provando da culinária local na Mercearia Rodrigues enquanto assistiam à apresentação do Grupo Fandaguará, grupo fandangueiro composto por jovens do município que vem trabalhando no resgate e valorização da cultura caiçara.

As atividades incluíram ainda a visita à Reserva Salto Morato mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção a Natureza em Guaraqueçaba (PR). Nos 2.253 hectares de áreas preservadas de Mata Atlântica na reserva, reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, são desenvolvidas atividades de pesquisa científica, observação de aves e ações de educação para conservação.

O encerramento da vivência aconteceu na Reserva Natural Guaricica, mantida pela SPVS em Antonina (PR). Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre o projeto Escola de Conservação da Natureza, a parceria com empresas para projetos de monitoramento e compensação de emissões de carbono, além do trabalho para manejo das áreas conservadas.

Além de motivados a promoverem ações de conservação, os participantes da vivência pela Mata Atlântica puderam deixar um pequeno legado para a manutenção do patrimônio natural desta região. Todos foram convidados a plantar uma muda nativa. Essa ação simboliza o compromisso assumido com a riqueza natural presente nessa região. Nos próximos dias este grupo divulgará novas ações de comunicação que apresentem as riquezas da região, mas que também alertam para a necessidade e urgência da conservação do último grande remanescente de Mata Atlântica do mundo.

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(Participantes da vivência durante plantio de muda nativa na Reserva Natura Guaricica. Foto: Ricardo Borges)