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22 de novembro de 2017

Duas novas espécies de inseto são descobertas em reserva natural no litoral do Paraná

Por Comunicação

Professor da UFPR classificou novas variações de cigarrinha durante aula de campo na Reserva Natural Guaricica, na cidade de Antonina

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As armadilhas para insetos instaladas na Reserva Natural Guaricica, no litoral paranaense, trouxeram uma surpresa para o professor Rodney Ramiro Cavichioli, do departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Durante uma aula de campo, as armadilhas luminosas colocadas em copas de árvore capturaram espécies desconhecidas de cigarrinha.

As espécies, do gênero Nullana, receberam os nomes científicos Nullana albinoi e Nullana sakakibarai, em homenagem ao professor aposentado da UFPR, Albino Morimasa Sakakibara, que foi orientador de Cavichioli.

O autor da descoberta explica que, diferentemente das variações conhecidas de cigarra, as novas espécies não “cantam”. Elas pertencem a um grupo chamado popularmente de cigarrinhas, que, segundo Cavichioli, até emitem sons, mas em frequências inaudíveis para seres humanos.

O pesquisador afirma também que a extensão de floresta conservada pela Reserva Guaricica, de 8,7 mil hectares, é importante para que novas espécies sejam descobertas. A reserva, administrada pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), está localizada no maior remanescente contínuo do bioma Mata Atlântica e é cercada por outras unidades de conservação. “Quanto maior a extensão de área protegida, maior a biodiversidade. Espécies de plantas que estavam em declínio têm espaço para voltar a se desenvolver e trazem consigo mais espécies de animais”, explica o professor.

Pesquisas no litoral

Desde 2003, a Reserva Guaricica já recebeu mais de 100 pesquisas realizadas por diferentes instituições. Reginaldo Ferreira, que coordena as três reservas da SPVS no litoral paranaense, explica que a estrutura física e o modelo de gestão das áreas atraem pesquisadores e acadêmicos de diversos países. “Alojamentos, trilhas estratégicas pela floresta e salas de trabalho com acesso à internet são pontos importantes e auxiliam o trabalho dos pesquisadores”, conta Ferreira. “Mas o que torna a Reserva Guaricica um dos principais locais de pesquisa no estado é a equipe técnica que trabalha na área”.

Com nove funcionários – a maior parte moradores de comunidades locais – trabalhando no monitoramento e manutenção, a Reserva Guaricica proporciona um intercâmbio entre o conhecimento popular e o acadêmico. “Os moradores da região que trabalham na Guaricica conhecem as trilhas como a palma da mão, muito mais do que a gente. A experiência deles sempre me ajuda muito”, conta Rodney Ramiro Cavichioli, que faz pesquisas na reserva há mais de 10 anos. “A cada vez que vou à reserva me surpreendo mais. Seja com a restauração das áreas ou com a biodiversidade. Provavelmente nunca vamos conseguir conhecer todas as espécies da região, tamanha a diversidade”, conclui o professor da UFPR.

O coordenador da Reserva Guaricica, Reginaldo Ferreira, também acredita que a descoberta mostra um potencial ainda desconhecido desse remanescente de Mata Atlântica. “Pode haver espécies importantíssimas como bioindicadores da qualidade do ambiente ou mesmo para a medicina que ainda não foram descobertas. As unidades de conservação cumprem também esse papel de preservá-las.