A Fundação Florestal representa uma referência nacional a partir do trabalho que desenvolve na área ambiental É uma das melhores e mais qualificadas instituição em todo o país que atua na área da conservação da biodiversidade. Sua equipe de profissionais tem uma formação excepcional e as Unidades de Conservação por ela geridas representa um exemplo a ser seguido pelas outras Unidades da federação. O anúncio do secretário de estado do Governo de São Paulo sobre a possível extinção desta instituição exemplar causou espanto e indignação por todos os cidadãos brasileiros que apostam numa agenda mais virtuosa e positiva de respeito ao patrimônio natural de nosso país. Os retrocessos da gestão federal são um exemplo a não ser seguido, e certamente o Governo do estado de São Paulo saberá reverter esta notícia de negativa repercussão.

A surpresa é ainda maior em função do anúncio se ater à extinção do órgão sem que se explique simultaneamente a nova estratégia para gestão das Unidades de Conservação do Estado, já tão bem consolidada pela Fundação Florestal. Essas áreas integram o maior remanescente contínuo ainda existente de Mata Atlântica do país. Um território que se estende por mais de dois milhões de hectares, somando as áreas dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, com a maior biodiversidade do mundo, que incluem espécies ameaçadas e endêmicas de nossa flora e fauna, cidades históricas e comunidades tradicionais que preservam a riqueza cultural de nossa nação.

Tememos que o Estado siga o, no mínimo questionável,  exemplo do Governo Federal que promove, através de suas recentes políticas, um processo de desmonte dos órgãos ambientais com imenso prejuízo ao patrimônio ambiental brasileiro.

Sabemos da necessidade de redução de gastos do Estado e a otimização da gestão de toda sua administração, reforçada atualmente pelo evento da pandemia e das previsões, sobretudo para o ano de 2021, de diminuição de arrecadação e recursos. Sabemos ainda que diante da pandemia do Covid-19, nosso país enfrenta redução nas arrecadações e a necessidade de remanejamento de recursos à saúde pública. Entretanto, é necessário reconhecer que medidas incoerentes com os órgãos ambientais podem nos levar a viver crises piores.

As Unidades de Conservação do Estado constituem, não apenas a garantia da  conservação de nossos recursos naturais, mas também a possibilidade de, se melhor aproveitadas todas as suas potencialidades, sobretudo turísticas, gerar mais recursos e contribuir para o equilíbrio financeiro das contas estaduais e para maior justiça social, por meio de um processo já conhecido como Produção de Natureza.

A Fundação Florestal vem nos últimos anos realizando um importante esforço de aproximação com outros estados e outras entidades públicas e privadas, por meio da iniciativa Grande Reserva Mata Atlântica de forma a valorizar ainda mais as riquezas naturais e culturais do Estado. Esforço esse que precisa ser mencionado e reconhecido.

Adicionalmente, a Fundação Florestal também apoia e promove diversos projetos de pesquisa e monitoramento da biodiversidade em outras Unidades de Conservação, apoio este fortalecido pela equipe de monitores capacitados pela Fundação. Sabe-se que muitos destes colaboradores são moradores do entorno das Unidades, o que reforça o comprometimento da Fundação com a comunidade local à sua atuação.

A proposta de extinção do principal Órgão Gestor de Unidades de Conservação do estado de São Paulo não só é contrário aos positivos esforços empreendidos como, coincidentemente, foi noticiada em meio às comemorações dos 20 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, criado pela Lei Federal 9.985/2000. Considerando que o próprio SNUC prevê que as empresas de infraestrutura de base que se utilizem de alguma forma do território das UCs, contribuam para sua conservação, dispositivo que não tem sido aplicado no Estado de São Paulo, tendo em vista a SABESP, ECOVIAS, MRS, RUMO (ferrovias), concessionárias de energia e antenas de rádio, tv e telecomunicações, dentre outras.

Consideramos que a Fundação Florestal é o melhor meio de se alcançar esses objetivos, sem prejuízo do estudo de alternativas para otimizar a gestão e aumentar as receitas, e que esta decisão seja revertida. Consideramos ainda que uma gestão eficiente das Unidades de Conservação é parte de um processo que no longo prazo também beneficia a saúde pública e ajuda a controlar e evitar novas pandemias, além de gerar recursos para as próprias prefeituras.

Certos de que compartilhamos de uma visão comum quanto à importância da conservação, subscrevemo-nos,

Atenciosamente,

 

– Acquaflora Meio Ambiente (consultoria ambiental)

– Adoro Viajar S/A

– Agência de Turismo Vale do Gigante Paraná

– Allan da Silva Neto

– Aline Martinhago

– Amanda Liara Selivon

– Amauri Alves Rodrigues

– Ambientalista Consultoria

– Aneuri Lima

– Associação Mar Brasil

– Bárbara A M Krenk

– Casa Bananina – Comércio de Produtos

– Cassiana Gomes

– Curt Matherne

– Dartilene de Souza e Silva

– Diego Silva

– Ekôa Park

– Ekoways Turismo e Sustentabilidade

– Elenise Sipinski

– Fábio Augusto Souza Lima

– Fernanda Sezerino

– Francisco Carlos Machado

– Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

– Grande Reserva Mata Atlântica

– Guilherme Farah de Macedo

– Guilherme Santos Batista

– Hotel Naturalis Eireli

– IAMUQUE – Instituto A Mudança que Queremos

– Indústria Floresta

– Instituto Claravis

– Instituto Meros

– Instituto Rã-bugio para a Conservação da Biodiversidade

– Jaguará do Sul SC

– Jeferson dos Santos Araújo

– Jerivá da Serra

– José Claro da Fonseca Neto

– Juliano Dobis

– Luciana Goldschmidt Costa

– Marcela Cristina Bettega

– Marcelo Machado

– Marcos Cruz Alves

– Maria Vitória Yamada

– Marina Costa de Macedo

– Marina Pranke Cioato

– Maristela Mendes

– Marta J. Cremer

– Marumbike locadora de bicicletas

– Marumby Montanhismo

– Matheus Oliveira Freitas

– Maurício dos Santos

– Mauro Rogério Lovato

– Mírian Lovera Silva

– MxM Turismo de Aventura Ltda

– Natasha Choinski

– Observatório de Conservação Costeira do Paraná

– Observatório Justiça e Conservação – OJC

– Parque das Aves

– Portal do Mangue

– Porto de Cima Brewing

– Pousada Graciosa

– Projeto Litoral Nota Cem

– Rachel Siviero

– Rafael Meirelles Sezerban

– Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação – Rede Pro UC

– Ricardo Borges

– Roberta Boss

– Ronaldo Franzen

– Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS

– Solange Regina Latenek dos Santos

– Tânia Lopes

– Tania Mara De Fátima De Matos Abrão Mendes Da Silva

– Ytalo Augusto Rosa dos Santos