Notícias Gerais

7 de janeiro de 2019

Escola de Conservação da Natureza formou segunda turma de jovens conservacionistas em Guaraqueçaba (PR)

Por Comunicação

Em evento de comemoração, os alunos participaram de expedição para a Ilha Rasa para acompanhar o monitoramento de ninhos do papagaio-de-cara-roxa

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Sensibilizar, informar e instrumentalizar jovens para a conservação do patrimônio natural. Esse é o principal objetivo da Escola de Conservação da Natureza, projeto desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Em 2018, o projeto formou sua segunda turma, composta por 35 jovens de Guaraqueçaba, litoral do Paraná, com idades entre 16 e 18 anos.

O município de oito mil habitantes está situado no maior remanescente contínuo do bioma Mata Atlântica do País, e conta com mais de 282 mil
hectares de áreas protegidas.

As aulas gratuitas da Escola de Conservação aconteceram durante o segundo semestre de 2018 no Centro Social Marista de Guaraqueçaba e na Reserva Natural Salto Morato, quando vários temas foram ministrados por especialistas de diferentes áreas, como legislação ambiental, fauna e flora da mata atlântica, planejamento de vida e empreendedorismo local baseado na conservação da natureza. “Nosso principal objetivo é mostrar para esses jovens que existem muitas oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional que podem ser exploradas no município, desde opções de atuação como cientistas ou pesquisadores, por exemplo, até mesmo como empreendedores, sempre respeitando e prezando pela conservação da natureza”, explica Solange Latenek, coordenadora técnica do Projeto.

Aliando a teoria à prática, no dia 20 de dezembro a turma realizou  uma expedição partindo de Guaraqueçaba com destino à Ilha Rasa, para acompanhar o monitoramento dos ninhos do papagaio-de-cara-roxa – espécie rara que só existe no litoral norte do Paraná e no litoral sul de São Paulo. As aves são monitoradas pela SPVS desde 2003 e são encontradas em maior quantidade na região onde moram os alunos da Escola de Conservação da Natureza.

“É importante ter trabalhos educativos e de sensibilização como a Escola de Conservação, principalmente com os jovens, porque são eles que vão cuidar desse local. Por isso, mostrar para eles na prática o que aprenderam na teoria é tão essencial, materializar essas relações naturais faz com que eles valorizem ainda mais o local onde vivem”, ressalta Elenise Sipinski, coordenadora do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, que completou 20 anos em 2018.

Valorização e reconhecimento do patrimônio local

Desde o início do projeto, a Escola de Conservação da Natureza formou duas turmas de conservacionistas em municípios que abrigam áreas importantes de Mata Atlântica preservada. Em 2017, Antonina, também no litoral paranaense, foi o primeiro município a formar uma turma do Projeto, com a participação de 46 jovens, moradores do entorno das reservas naturais administradas pela SPVS na cidade. Atualmente, alguns deles estudam e trabalham em atividades ligadas à conservação. Somados à turma de Guaraqueçaba, 82 jovens passaram pelas atividades de formação da Escola, com mais de 100 pessoas envolvidas em todo o processo.

Indicadores coletados pela SPVS com os alunos do Projeto mensuraram o impacto das ações nos municípios. A maioria dos participantes afirmou desconhecer a finalidade das Unidades de Conservação (UCs) da região antes de participar da Escola de Conservação da Natureza. Eles também afirmaram não saber sobre a participação dessas áreas na geração de empregos e na contribuição para o ICMS Ecológico (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos municípios.

Após participarem das oficinas promovidas pelo Projeto (Conservação e Legislação; Fauna e Floras Nativas; Restauração Ecológica e Construção de um Plano de Vida), os alunos mudaram sua visão sobre a conservação da natureza. “Podemos perceber que os jovens passaram a valorizar mais a região onde vivem e a importância da conservação do seu patrimônio natural e cultural, a ponto de disseminarem essas ideias, e o mais importante: ajudaram a conscientizar cada vez mais pessoas, multiplicando o conhecimento que eles adquiriram durante o curso”, ressalta Solange.

Ainda, segundo Marcelo, aluno da turma de Guaraqueçaba, o Projeto foi capaz de “mostrar o privilégio que é viver em uma cidade com tanta biodiversidade”.