Notícias Gerais

15 de março de 2017

Maior unidade de conservação do Paraná sofre ameaça, mas sociedade resiste

Por Comunicação

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana pode ter 70% de sua área reduzida, caso projeto de lei seja aprovado

Rio Iapó - Cânio do Guartelá - Zig

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana é a maior unidade de conservação do Estado do Paraná, contribuindo com a preservação de dois importantes ecossistemas brasileiros: a Floresta com Araucária e os Campos Naturais. Esta área, com mais de 392 mil hectares corre risco de ser reduzida por conta do projeto de Lei 527/2016, em trâmite na Assembleia Legislativa, que aceleraria o processo de extinção de espécies e comprometeria a existência de patrimônios arqueológicos e sítios geológicos únicos da região.

Esta área, que foi criada por meio de decreto assinado pelo governo do Paraná em 1992, está localizada nos Campos Gerais, entre o Primeiro e o Segundo Planaltos do Estado, distribuída entre 12 municípios paranaenses (Sengés, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Tibagi, Castro, Carambeí, Ponta Grossa, Campo Largo, Palmeira, Porto Amazonas, Balsa Nova e Lapa) fazendo fronteira com o Estado de São Paulo.

Nas últimas décadas, todo o Segundo Planalto do Paraná que era formado por Campos Naturais e capões de Floresta com Araucárias foi transformado em agricultura e áreas de reflorestamento. O que sobrou nesta área é onde existe a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana que é extremamente importante para manter o patrimônio natural que ainda resta no estado.” explica Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS.

A região abriga imponentes formações rochosas de mais de 400 milhões de anos, nascentes e mananciais de água, canyos e espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção como é o caso da araucária, do lobo-guará [Lobo-guará é fotografado em Área de Proteção Ambiental ameaçada do Paraná] e da gralha-azul. O levantamento do plano de manejo da Escarpa Devoniana prevê que nesta área ocorra a existência de, pelo menos, 92 espécies de mamíferos, 337 de aves e 60 de répteis.

Caso seja aprovado o projeto de Lei 527/2016, a APA pode perder até 70% de seu território, o equivalente a 2,6 mil quilômetros quadrados, colocando em risco todos os serviços ecossistêmicos prestados pela diversidade de natureza presente na área além de causar diversos impactos econômicos e sociais. Entretanto, o argumento utilizado pelos que defendem a redução da APA é a utilização da área para desenvolvimento da agricultura e pecuária.

Um dos principais prejuízos econômicos causados caso haja a redução da APA impactará diretamente os municípios que hoje são beneficiados com os recursos provenientes do ICMS Ecológico, gerado pela existência da área de proteção. Atualmente o conjunto de prefeituras recebe um valor que chega a mais de R$3 milhões, que seria reduzido a, pelo menos, um terço. Somado a isto e aos danos ambientais, o PL 527 reduziria também o potencial turístico dos municípios que possuem esta atividade como principal fonte de renda.

Atividades econômicas em áreas de proteção

A lei federal 9.985/2000 estabelece, dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, duas categorias de unidades, as de proteção integral e as de uso sustentável. A primeira, mais restritiva, admite apenas o uso indireto de atributos naturais, mantendo os ecossistemas livres da interferência humana, como é o caso de parques nacionais, por exemplo. Já no caso das unidades de uso sustentável, como a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, é aceita a exploração do ambiente de forma a garantir a manutenção e perenidade dos recursos ambientais e processos ecológicos.

A Escarpa Devoniana representa um importante polo para o desenvolvimento do turismo de natureza por meio de atividades de aventura, pousadas e hotéis fazendas, por exemplo. Entre os pontos turísticos já estabelecidos e mais frequentados estão o Buraco do Padre, o Parque Estadual do Guartelá, o Parque do Cerrado e os Arenitos do Parque de Vila Velha.

A capacidade turística que a região apresenta aliado à questão do ponto de vista didático representa um grande caminho para a Escarpa Devoniana e para a sociedade como um todo” acrescenta o professor de geologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Gilson Burigo.

Vale lembrar também que esta região abriga importante valor histórico-cultural, uma vez que faz parte da Rota do Tropeirismo, um dos mais importantes ciclos econômicos brasileiros, que trouxe para região aspectos únicos e peculiares de costumes e tradições como, por exemplo, a gastronomia, com pratos típicos como o feijão tropeiro e o arroz carreteiro.

Foto: Zig Koch

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