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13 de setembro de 2018

O desafio de comunicar que áreas naturais são áreas de produção

Por Comunicação

Carta de Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS, para abertura do Relatório Anual de Atividades 2017 

[clique aqui e acesse o relatório]

Proteger áreas naturais e a biodiversidade demanda conhecimentos técnicos distintos, com foco numa visão muito determinada para que resultados concretos possam ser obtidos. Nesse particular, é
fundamental a disponibilidade de conhecimentos qualificados que indiquem quais são as prioridades a serem abordadas em cada situação, como forma de buscar as melhores estratégias de intervenção.

No entanto, é importante reconhecer que, para a obtenção de resultados efetivos, cabe melhor compreensão de que ações de conservação são de extrema importância para toda a sociedade. Nesse particular, pouco colaboram os relatos em linguagem excessivamente técnica e que enfatizam o tema da conservação da natureza como um fim não atrelado às demais atividades humanas.

Sem perder o foco da conservação, um importante processo de ajuste de linguagem vem sendo introduzido nas instâncias que atuam na proteção do patrimônio natural. Justamente com a finalidade de desmistificar a falsa separação entre os temas do desenvolvimento e da conservação. A agenda atual não comporta mais essa dualidade.Cabe uma abordagem mais pragmática sobre o tema, demonstrando que áreas naturais são, efetivamente, áreas de produção.

O melhor entendimento sobre o papel dos serviços ecossistêmicos para o bem-estar da sociedade e para a manutenção de atividades econômicas é fato notório. As áreas naturais passam a ser vistas como provedoras de insumos fundamentais, como a água, o equilíbrio do clima, o bem-estar e a saúde, dentre uma infinidade de outras aplicações que se inserem diretamente na agenda de desenvolvimento humano.

Mais especificamente em relação às unidades de conservação, o dilema que envolve a destinação de áreas naturais ainda remanescentes como redutos para a conservação da biodiversidade, demanda enfoque cada vez mais refinado no que se refere às oportunidades e insumos provenientes desses espaços naturais bem protegidos.

No Brasil, as grandes cidades e a produção agrícola dependerão cada vez mais da existência de espaços naturais conservados para manterem uma boa qualidade de vida para seus habitantes. E as regiões bem conservadas ainda existentes – em especial aquelas áreas mais amplas, na forma de Unidades de Conservação, como Parques Nacionais, dentre outras modalidades praticadas no país -, são fonte de geração de renda e de empregos locais, vinculados ao enorme potencial de criação de destinos turísticos de relevância mundial, como é o caso da Mata Atlântica, no seu último grande contínuo entre os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Em 2017 a SPVS reporta a execução de um leque de projetos de conservação, resultado de desdobramentos de muitos esforços de aproximação com atores que apoiam, financiam e atuam como parceiros na busca de avanços concretos para a conservação da biodiversidade. Esse foi um ano de novas aproximações estratégicas que corroboram com o desafio de comunicar melhor nossa missão, compartida com muitas outras instâncias da sociedade. [clique aqui e acesse o Relatório Anual da SPVS de 2017]

Atingir diferentes públicos de maneira inovadora, atrelada à aproximação de novos atores, dispostos a um maior envolvimento na causa comum da conservação, é um grande desafio que está sendo enfrentado. Em diferentes frentes, compreendemos melhor a necessidade de argumentar com consistência que permita uma melhor resposta da sociedade frente à agenda da conservação: a produção de natureza como instrumento de desenvolvimento e de um entendimento sobre o papel fundamental das áreas naturais.

Clóvis Borges
Diretor executivo da SPVS