Armadilhas fotográficas monitoram a conservação da espécie em área de remanescentes de Floresta com Araucárias

A presença de uma onça-parda (Puma concolor) foi registrada em uma reserva natural na Lapa, Região Metropolitana de Curitiba. A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Uru — conhecida como Mata do Uru — em que o registro aconteceu tem como objetivo a conservação da Floresta com Araucárias e Campos Naturais, ecossistemas ameaçados de desaparecer por causa do desmatamento, expansão da urbanização e da invasão de espécies exóticas.

A onça-parda é o segundo maior felino do Brasil, de acordo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atrás apenas da onça-pintada. A espécie está classificada como “vulnerável” no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, elaborado pela instituição. Presente em quatro dos biomas brasileiros, a onça-parda enfrenta nos últimos anos um declínio na população devido à redução de seus habitats naturais e diminuição de presas para caça, consequências das atividades humanas e do crescimento urbano desordenado.

A presença de mamíferos de grande porte significa que há equilíbrio entre as espécies do ecossistema e riqueza genética na biodiversidade local. “Boa parte das espécies que estão no topo da cadeia alimentar sofrem uma pressão grande, muitas já estão criticamente ameaçadas de extinção”, afirma Felipe do Vale, coordenador de projeto.

O  Programa Desmatamento Evitado (PDE) — iniciativa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) — realiza, entre outras atividades, o monitoramento de espécies na Mata do Uru. Esse bom indicativo de conservação da área também é comemorado pela Posigraf, empresa parceira das ações realizadas na reserva natural. “A degradação e a fragmentação de ambientes naturais é uma das principais causas de extinção de animais no Brasil e a presença de espécies vulneráveis, como a onça-parda, evidencia a relevância da Mata do Uru para a biodiversidade local e nos deixa extremamente orgulhosos do trabalho de conservação que é realizado há mais de 15 anos pelo Grupo Positivo na área”, destaca Andréa Luiza Santos Arantes, coordenadora de Sistema de Gestão da Posigraf.

O Programa Desmatamento Evitado atua aproximando proprietários de áreas naturais com vegetação nativa de empresas interessadas em apoiar iniciativas de conservação da biodiversidade. Em 16 anos de apoio, o Grupo Positivo, representado pela Posigraf, já investiu quase R$ 2 milhões na conservação, manutenção e gestão da área, em contrapartida minimizou seus impactos em emissão de carbono, foi reconhecida com a Certificação LIFE e passou a ter um espaço para realização de ações de educação, vivência de natureza e pesquisa para uso por todo o Grupo Positivo.

Benefícios socioeconômico

A manutenção de áreas em bom estado de conservação, como na Mata do Uru, também traz benefícios socioeconômicos para a região, por fomentar o turismo de natureza, a pesquisa científica e ações de educação para conservação. Já conhecido por seu turismo cultural e rural, o município da Lapa eleva seu potencial de receber mais turistas e incentivar a economia local ao conservar seus remanescentes de vegetação nativa.

Por outro lado, mecanismos também são criados e desenvolvidos como incentivo para que os proprietários de áreas naturais as mantenham preservadas. Neste sentido, em 2019, quase 1 milhão de reais do Fundo Estadual de Meio Ambiente foi destinado por meio do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A Mata do Uru foi uma das beneficiadas pelo incentivo, tendo seu padrão de gestão em prol da conservação reconhecido como um modelo para implementação em outras Unidades de Conservação.