Notícias Gerais

28 de maio de 2019

Pesquisadores registram imagens de micos-leões-da-cara-preta no litoral de São Paulo

Por Comunicação

Registro reafirma grau de conservação de Parque Estadual e a necessidade de preservação da espécie

registro-mico_jun2019_galeria

Clique aqui para assistir o vídeo deste registro

Armadilhas fotográficas instaladas no entorno do Parque Estadual do Lagamar no Ariri, município de Cananéia, no litoral de São Paulo, registraram a presença de um grupo de micos-leões-da-cara-preta (Leontopithecus caissara). Essa é uma espécie de primata considerada endêmica, ou seja, só existe em uma área restrita nos estados do Paraná e de São Paulo, na porção central da Grande Reserva Mata Atlântica, uma área que abrange dois milhões de hectares contíguos desse bioma no mundo.

O registro faz parte da atividade de monitoramento da população prevista pelo Projeto de Conservação do Mico-leão-da-cara-preta, que teve início em março e é executado pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Com os dados coletados por meio do monitoramento da espécie, a equipe do Projeto busca entender como os micos utilizam o local e qual é o estado de conservação da área, além de apoiar a gestão do Parque Estadual Lagamar de Cananéia (SP) e do Parque Nacional do Superagui (PR), moradia de boa parte da população da espécie.

A população estimada do mico-leão-da-cara-preta, classificada atualmente como ‘em perigo’ pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, é de apenas 400 indivíduos. De acordo com a coordenadora do projeto, Elenise Sipinski, as principais ameaças estão relacionadas ao isolamento de populações causado pela construção de um canal que separou o continente da ilha (Canal do Varadouro), promovendo desconexão de hábitat, além de outros fatores, como a perda e fragmentação de áreas naturais continentais de distribuição da espécie.

Além disso, eventos climáticos extremos também representam uma grave ameaça a estes animais. A área dos registros foi atingida, em dezembro de 2018, por um forte ciclone, destruindo aproximadamente 2.700 hectares de florestas. Diante da preocupação com o impacto deste fenômeno sobre a espécie, a equipe do Projeto escolheu justamente a área atingida para instalação das câmeras. O registro dos micos nesta porção reforça a necessidade e a importância das ações de conservação como forma de manter condições adequadas à sobrevivência da espécie.

Como uma forma de engajar a comunidade nesta iniciativa e alertar para a importância da conservação do bioma, além de auxiliar na geração de novos postos de trabalho, dois moradores da comunidade local foram contratados pelo Projeto para auxiliar no trabalho de localização dos micos. Além disso, o Projeto prevê a realização de diversas ações de educação e mobilização, reuniões e encontros com representantes de órgãos governamentais e com as comunidades locais.