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Perguntas e Respostas

Onde vive o papagaio-de-cara-roxa?
O ambiente natural do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), conhecido também por chauá, é a Floresta Atlântica. O animal habita, porém, apenas uma estreita faixa desse bioma, que vai do litoral sul de São Paulo ao litoral norte de Santa Catarina, compreendendo, portanto, toda a costa do Paraná. O papagaio é um animal endêmico dessa região, ou seja, não é encontrado em mais nenhum outro lugar do mundo. A maior parte de sua população está concentrada no litoral do Paraná.

Como reconhecer um legítimo chauá?
Além da cara roxa, essa espécie de papagaio têm as penas das costas com bordas amarelas, a testa vermelha e um faixa também vermelha na cauda. O comprimento total do animal é de 36cm. O som que os papagaios emitem, principalmente quando estão soltos na floresta, soa como kraa-kraa, kréo, kli-kli, kälik (Sick, 1997).

Por que o papagaio-de-cara-roxa?
O cara-roxa é considerado uma espécie bioindicadora. Muito sensível a alterações no ambiente em que vive – a Floresta Atlântica – sua presença demonstra se a mata está sendo conservada ou não. Preservar o papagaio-de-cara-roxa, portanto, significa proteger a floresta inteira, com toda a sua biodiversidade.


O papagaio chauá é uma espécie em extinção?
Sim. Quando se vê uma revoada de papagaios, se tem a impressão de que ainda existem muitos. Infelizmente, são apenas os poucos indivíduos que restaram. Os pesquisadores afirmam que há somente cerca de 6.500 papagaios na área de ocorrência do animal, sendo que desses aproximadamente 4.900 estão no Paraná. Esse número, que já é bem pequeno para a manutenção de uma espécie, tem chance de diminuir, o que pode provocar a extinção da ave. Uma grave ameaça à sobrevivência do papagaio é a destruição de seu habitat. A retirada excessiva de certas árvores, como o guanandi, a caxeta e a timbuva, reduz a quantidade de alimentos, bem como o número de ocos – espaços vazios nos troncos, aproveitados pelos papagaios para a construção de ninhos. A venda ilegal é outro risco para o chauá. Sua beleza atrai comerciantes, fato que o posiciona atualmente como uma das espécies mais ameaçadas pelo tráfico internacional de animais silvestres. O problema do comércio ilegal se agrava durante os meses de verão, época de reprodução e crescimento dos filhotes. Justamente nesse período o litoral paranaense recebe maior número de turistas, alguns deles, potenciais compradores.

Por que o tráfico de animais silvestres não vale a pena?
Primeiro, porque capturar, vender ou comprar espécies silvestres é crime, sujeito à multa de até um ano e meio de detenção. Isso está previsto no artigo 29, seção 1, da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98). Depois, porque é uma crueldade. Após a captura, os animais passam por sucessivas torturas. São transportados em recipientes apertados para não despertarem a atenção dos fiscais e alimentados de forma inadequada. Por conta disso, nove em cada dez indivíduos capturados morrem antes mesmo de serem vendidos. A retirada de espécies da floresta significa perda da biodiversidade. Por outro lado, qualquer animal silvestre é capaz de levar doenças, algumas ainda desconhecidas, para dentro da casa dos próprios compradores. O papagaio-de-cara-roxa, por exemplo, quando fora da floresta, fica enfermo com facilidade e dificilmente se reproduz. Além disso, pode transmitir doenças. Ele possui agentes patogênicos (microorganismos) comuns à espécie, que se manifestam quando o animal está estressado. Esses microorganismos provocam doenças que podem ser adquiridas pelo homem, como salmonelose, clamidiose, candidíase, entre outras, que afetam principalmente intestino e pulmões.

Como o Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa atua?
O Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa possui quatro linhas de atuação:
• Pesquisa: com base em um diagnóstico da situação ambiental da área de ocorrência e das ameaças que a espécie enfrenta, são feitas pesquisas em vida livre e em cativeiro. A partir dos resultados das pesquisas sobre comportamento, biologia reprodutiva, dinâmica populacional, utilização do ambiente pela espécie e zoonoses, novas estratégias de manejo e conservação vêm sendo implantadas.
• Educação ambiental: fazem parte do público-alvo dessa linha os moradores e turistas de áreas onde estão os principais sítios do papagaio-de-cara-roxa. São realizadas ações direcionadas aos ensinos formal e não-formal, objetivando estimular a reflexão, discussão e reavaliação de posturas frente à questão ambiental, a fim de fomentar ações compatíveis com a conservação da espécie e seu ambiente.
Geração de renda: visa instrumentalizar a população local para desenvolver atividades de geração de renda compatíveis com a conservação da natureza. Os pressupostos assumidos são a manutenção da cultura das tradições locais e a conservação da biodiversidade. A linha trabalhada é o ecoturismo de base comunitária.
• Integração institucional: pretende fomentar a aproximação com órgãos de fiscalização e de gestão governamental, organizações não-governamentais, zoológicos e instituições científicas. As ações prioritárias são voltadas ao combate do tráfico de animais silvestres, por meio da realização de mobilizações em estradas, verificação de venda ilegal em pontos de comércio local, estímulo a denúncias e campanhas educativas.

O uso de rádios-colares traz prejuízo à saúde dos filhotes?
Bastante leve, o rádio-colar não provoca nenhum dano aos animais. Sua bateria dura pelo período de um ano. Por meio de uma antena, é possível captar o sinal e acompanhar o deslocamento dos bichos. Desse modo, os pesquisadores podem conhecer melhor a rotina dos papagaios – onde costumam dormir e se alimentar, por exemplo – e definir áreas prioritárias para a conservação.

Como acontecem os censos populacionais?
As contagens do número total de papagaios que habitam o litoral do Paraná são realizada pelos pesquisadores da SPVS a cada estação do ano, com a colaboração de uma grande equipe, composta por voluntários estudantes de biologia e veterinária e também por moradores da área de ocorrência da espécie. Para realizar o censo, eles se posicionam em pontos estratégicos, próximos aos dormitórios – locais onde os papagaios costumam pernoitar. A contagem dos animais sempre ocorre ao amanhecer ou no final da tarde. Isso porque, a medida que saem ou retornam aos dormitórios, as aves são avistadas no ar. O censo é uma importante estratégia de monitoramento da população, pois permite avaliar se, com o passar do tempo, ela aumentou, diminui ou permaneceu estável.

Como é a alimentação dos papagaios?
Os alimentos preferidos são frutos, folhas e flores, que variam conforme a época do ano. Os frutos de tucum e gerivá (que são palmeiras), de guanandi, araçá, mangue-do-mato, camarinha, araticum, pitanga, cafezinho e guapê-do-mato estão entre os mais procurados. Dentre as folhas, pode-se destacar a de canelinha, do guanandi, timbuva e massaranduba. As flores de caxeta, mangue-do-mato, guanandi e bromélia são também apreciadas por esses animais.

Você sabia que o cara-roxa é monogâmico?
Os papagaios vivem em bandos e são monogâmicos: escolhem um parceiro e passam o resto da vida juntos. Por esse motivo, se um cara-roxa tiver seu par roubado pelo tráfico de animais silvestres, pode demorar a encontrar outro e voltar a se reproduzir. Os filhotes vivem com os pais durante o primeiro ano de vida. Só depois de adultos, com aproximadamente 3 anos, os papagaios formam novos casais. No período reprodutivo, que vai de setembro a março, os casais buscam ocos em árvores para construírem os ninhos e cada fêmea faz a postura de 2 a 4 ovos.

Como posso ajudar a proteger os papagaios-de-cara-roxa?
Através de uma campanha de adoção virtual, o projeto recebe doações. A Campanha Adote um Papagaio-de-cara-roxa tem como finalidade buscar o apoio da sociedade, por meio de contribuições que ampliem os esforços da SPVS para a proteção dessa ave ameaçada de extinção. Quem faz doações colabora para a continuidade das ações do projeto e, em troca, recebe brindes alusivos à espécie. Você ainda pode contribuir denunciando o tráfico de animais silvestres e outros crimes contra a natureza pela Linha Verde do IBAMA – 0800618080. A ligação é gratuita de qualquer lugar do Brasil.


   
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