Opinião

8 de janeiro de 2018

Utopia conservacionista

Por Comunicação

Confira o artigo de Clóvis Borges, diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), publicado originalmente na Gazeta do Povo em 4 de janeiro de 2018

(acesse aqui o link da Gazeta do Povo)

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Foto: Christophe Simon/AFP

Que 2018 encadeie luzes de mudanças profundas no nosso comportamento frente à natureza

Ao longo das últimas décadas e, notadamente, nos últimos anos, levando em conta o conjunto de nossas ações como civilização, tudo leva a crer que seguiremos avançando sobre terreno impróprio. Exceções pontuais e enganosas à parte, um turbilhão de processos sem controle continua a ser a marca registrada do que nós, humanos, definimos e defendemos como desenvolvimento.

Como um veículo rumando sem ninguém na direção, o que vale, no fim das contas, são as regras da economia de mercado. Nosso guia norteador não é representado pelos limites do planeta – nunca foi –, mas pelo que a economia demanda de nós.

No sentido inverso de qualquer coerência e sentido de precaução, a demanda é o que nos norteia, mesmo sem espaço para avançar na exploração da natureza sem que duras consequências sejam estabelecidas. Seguimos cegamente a demanda de mercado, em detrimento da existência de estoques para atender a requisição dos nossos pedidos.

Nosso guia norteador não é representado pelos limites do planeta, mas pelo que a economia demanda.

Na visão dos gurus economistas, o padrão que identifica uma “economia saudável” é designado de taxa de crescimento positiva. O Produto Interno Bruto (PIB) é a métrica que estabelece, supostamente, a existência de riqueza ou de pobreza de um país. Nenhum desses fatores leva em conta o meio com o qual esses índices são obtidos, quais são as condições pelas quais insumos são apropriados e de que maneira são utilizados pelo conjunto da população.

Ao mesmo tempo, coletivizamos silenciosamente as variáveis não mensuradas da degradação da natureza e dos prejuízos cada vez mais intensos provocados pela truculência com a qual exploramos o planeta. A perda de resiliência em relação ao montante de alterações que temos realizado de maneira tão agressiva ainda são, em geral, designadas como um efeito secundário e, portanto, não digno de suficiente atenção.

Clóvis Borges, diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS)

Acesse aqui o link da Gazeta do Povo